Artista Plástica diagnosticada com Esclerose Múltipla usa Tablet para pintar

14

Sep 2018

Por:Henrique Guimarães
Dicas | Notícias

APLICATIVO PERMITE QUE REGINA PENA, 66, CONTINUE A FAZER SEUS QUADROS, AGORA NO MEIO DIGITAL

O dedo indicador da artista plástica Regina Pena, 66, desliza sobre a tela do tablet anexado à sua cama, em uma Moradia Assistida geriátrica particular, em Cuiabá.

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Na tela do aparelho, Regina usa formas geométricas para criar imagens. A arte digital foi a forma que encontrou para se expressar, após ser diagnosticada com esclerose múltipla, doença na qual o sistema imunológico ataca células nervosas e causa dificuldades na comunicação entre o cérebro e o corpo.

Regina começou a pintar aos 16 anos. Tornou-se profissional aos 22. Pintava quadros com o que chama de temas realistas, de paisagens. Para elaborar as pinturas, se inspirava em fotografias. As principais eram inspiradas em locais de Mato Grosso, como os rios e pássaros da região.

Para pintar as telas, utilizava tinta acrílica. “Eu amava o cheiro dos quadros. Era um dos meus aromas preferidos.”

Os problemas de saúde começaram em 2005. Ficava sem forças e perdeu o controle do lado esquerdo do corpo.

A princípio, os médicos apontaram que ela teria sofrido uma isquemia cerebral. O diagnóstico aconteceu sete anos depois. “Quando descobriram, a doença havia avançado e eu estava em uma cadeira de rodas”, afirma.

Em 2007, Regina parou de produzir quadros, por não ter forças para segurar o pincel. Nesta fase, começou a escrever poemas. Em 2012, decidiu lançar um livro com os textos. Ela também queria fazer as ilustrações da obra, mas a doença a impedia de retomar a pintura com pincéis.

“Uma amiga me disse para aprender a pintar no tablet, mas eu achava que isso não era arte.” No tablet, as pinturas são baseadas no cotidiano, principalmente no noticiário da televisão.

As imagens são feitas por meio do aplicativo Sketchbook. Nele, Regina consegue controlar brilho, aproximar ou afastar a imagem, definir a espessura e a textura de seu traço. “Para mim, é igual à pintura em tela”, diz.

Para concluir cada pintura digital, a artista leva de um a três dias. Nos quadros físicos, eram de quatro a seis dias para ter a obra pronta.

Regina estima ter feito mais de 400 quadros digitais, com imagens que considera mais abstratas que aquelas que fazia anteriormente.

Entre as notícias escolhidas para serem retratadas em suas pinturas digitais, há casos de violência. “Eu acompanhei o caso da morte da menina Vitória [Gabrielly, assassinada em junho, no interior de SP] e isso me marcou”, detalha. Ela fez três quadros em alusão à morte da garota de 12 anos.

Os quadros da menina assassinada se chamam “Vitória”. Há outros nomes como “Noturno”, no qual retrata uma imagem noturna na Chapada dos Guimarães, e “Mulher e o Livro”.

Há três anos, Regina enfrentou um câncer no intestino. A situação agravou ainda mais o estado de saúde dela. Hoje, a artista não consegue mais sentar. Ela passa o dia deitada em uma cama. “A pintura tem me ajudado a suportar tudo isso”, afirma.

Regina faz tratamentos para tentar aliviar os sintomas da esclerose múltipla, que não tem cura. Há um mês, as dores ficaram intensas e ela suspendeu as pinturas. “Vou voltar a pintar quando as coisas melhorarem”, diz.

No próximo ano, Regina planeja fazer uma exposição. Para ela, a única distinção entre a pintura no tablet ou em tela é a ausência dos cheiros das tintas. “O processo criativo é o mesmo. Tudo vem da intuição, do imaginário e das memórias afetivas.”

Via: aluguetablet

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