A nova lógica do aluguel de notebooks: como empresas brasileiras estão reduzindo custos e ganhando eficiência

A nova lógica do aluguel de notebooks como empresas brasileiras estão reduzindo custos e ganhando eficiência
22

dez 2025

Por:Henrique Guimarães
Variados

Em um ambiente corporativo cada vez mais pressionado por competitividade, eficiência operacional e controle financeiro, as empresas brasileiras vêm repensando a forma como consomem tecnologia. Nesse contexto, o aluguel de notebooks e equipamentos de TI desponta como uma alternativa estratégica, capaz de gerar economia relevante, previsibilidade orçamentária e maior foco no negócio principal.

Embora esse modelo ainda seja menos difundido no Brasil do que em mercados mais maduros, como o norte-americano, sua expansão é consistente e aponta para uma mudança estrutural na gestão de ativos tecnológicos.

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Um mercado em transição acelerada

Enquanto nos Estados Unidos cerca de 80% das empresas já utilizam a locação de equipamentos de TI, no Brasil esse índice ainda gira em torno de 10%, segundo a International Data Corporation (IDC). Apesar da diferença, os dados mostram uma evolução rápida.

Em 2021, o mercado brasileiro de locação de computadores cresceu 24%. Em 2022, a expansão projetada foi de 21%, com investimentos próximos a US$ 100 milhões. As estimativas mais recentes indicam que o setor de TI no país deve avançar cerca de 13% até 2025, impulsionado por modelos mais flexíveis de consumo tecnológico.

Comprar ou alugar: uma decisão estratégica

O modelo tradicional de compra de equipamentos impõe desafios relevantes às empresas, independentemente do porte. Alto desembolso inicial, rápida obsolescência, custos de manutenção e dificuldades na gestão do parque tecnológico são fatores que pressionam o orçamento e reduzem a eficiência operacional.

A locação, por outro lado, transforma despesas de capital em custos operacionais previsíveis, permitindo melhor planejamento financeiro. Além disso, libera as áreas de tecnologia para se concentrarem em projetos estratégicos, em vez de lidarem com questões operacionais do dia a dia.

Segundo executivos do setor, o aluguel de equipamentos representa uma decisão mais inteligente do ponto de vista de gestão, pois desloca o foco da posse para o uso eficiente da tecnologia.

Benefícios fiscais e financeiros

Para empresas enquadradas no regime de lucro real, o modelo de locação traz vantagens fiscais relevantes. Ao classificar os contratos como despesas operacionais, é possível obter economia tributária significativa, reduzindo o impacto no caixa e melhorando a rentabilidade.

Além da economia direta, a previsibilidade de custos elimina surpresas com manutenção, substituições emergenciais e upgrades não planejados, problemas comuns em ambientes baseados exclusivamente na compra de ativos.

Players que impulsionam o crescimento do setor

O avanço do aluguel de equipamentos de TI no Brasil tem sido liderado por empresas que ampliaram seu escopo para além da simples locação. A Arklok, por exemplo, registrou faturamento de R$ 320 milhões em 2024 e administra uma base superior a 300 mil equipamentos próprios. A empresa evoluiu para um modelo de tecnologia como serviço, oferecendo gestão completa de ativos.

A Voke segue trajetória semelhante. Após faturar R$ 400 milhões em 2022, com crescimento expressivo em relação ao ano anterior, alcançou R$ 542 milhões em 2024. Desde 2019, já alugou mais de 550 mil equipamentos e projeta chegar a 1 milhão até 2030, acompanhando a mudança no comportamento das empresas, que demonstram menor interesse na compra de dispositivos.

Parcerias estratégicas e o avanço do modelo DaaS

Um exemplo emblemático dessa transformação é a parceria entre a Allu e a Acer. Como parceira exclusiva da fabricante no Brasil para o modelo de assinatura, a Allu vem registrando milhares de contratos mensais, oferecendo equipamentos de alto desempenho aliados a um serviço completo.

Fundada em 2016, a empresa consolidou-se como a maior plataforma de assinatura de eletrônicos da América Latina, com mais de 30 mil dispositivos ativos e atuação em todo o território nacional. Sua estrutura inclui centros operacionais em Belo Horizonte e Brasília, além de dezenas de pontos de apoio.

O diferencial está no conceito de Device as a Service, que vai além do fornecimento do hardware. O modelo inclui manutenção, suporte técnico, upgrades programados e gestão do ciclo de vida dos equipamentos, agregando valor ao longo de todo o contrato.

Experiência do cliente como fator decisivo

Com a tecnologia cada vez mais padronizada, a experiência do cliente tornou-se um elemento central de diferenciação. Empresas do setor investem fortemente em logística integrada, suporte técnico ágil e cobertura nacional.

A Allu, por exemplo, trabalha com prazos de substituição rápidos, garantindo a continuidade das operações dos clientes. Já outras empresas estruturaram modelos que incluem monitoramento remoto, gestão de ativos e customização dos equipamentos diretamente na origem, reduzindo o tempo de implantação e aumentando a produtividade desde o primeiro dia de uso.

Ganhos concretos para empresas de médio porte

Empresas com 50 a 200 colaboradores são as que mais têm adotado o modelo de locação. Para esse perfil, os benefícios são evidentes. Parcerias diretas com fabricantes reduzem custos, eliminam intermediários e podem gerar economia significativa em comparação ao mercado tradicional.

Além disso, a eliminação do CAPEX libera recursos para investimentos no core business. A flexibilidade para aumentar ou reduzir o número de equipamentos conforme a demanda é especialmente valiosa para empresas que operam por projetos, contratos temporários ou licitações.

Setores como advocacia, engenharia, contabilidade, tecnologia e terceirização de serviços estão entre os que mais se beneficiam dessa adaptabilidade.

Tecnologia como serviço: um caminho sem volta

A transformação de produtos em serviços, conhecida como servitização, está redefinindo a forma como as empresas consomem tecnologia. No ambiente corporativo, o modelo “as a service” representa mais do que uma mudança contratual. Trata-se de uma nova relação com os recursos tecnológicos, baseada em flexibilidade, eficiência e foco em resultados.

Estudos indicam que a adoção de tecnologias digitais avançadas seguirá crescendo nos próximos anos, especialmente entre empresas médias e grandes, o que tende a impulsionar ainda mais a demanda por soluções de acesso, em vez de posse.

Sustentabilidade e responsabilidade corporativa

Outro ponto relevante é o impacto ambiental. O modelo de locação favorece práticas mais sustentáveis, como recuperação, renovação e reutilização de equipamentos. Empresas do setor já adotam processos estruturados para recondicionamento de notebooks, PCs e impressoras, prolongando a vida útil dos ativos e reduzindo o descarte inadequado.

Essas práticas estão alinhadas às exigências ESG e reforçam o compromisso das empresas com uma transformação digital mais responsável.

Conclusão: eficiência como vantagem competitiva

O crescimento do aluguel de notebooks e equipamentos de TI no Brasil sinaliza uma mudança definitiva na gestão tecnológica das empresas. Ainda que o país esteja atrás de mercados mais maduros, a evolução é clara e consistente.

Para empresas de médio porte, o modelo oferece uma combinação poderosa de economia, previsibilidade financeira, acesso à tecnologia atualizada e maior foco estratégico. Em um cenário de constantes transformações, adaptar-se deixou de ser uma opção e passou a ser uma condição essencial para a competitividade e a sustentabilidade dos negócios.

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